Por
quê os cartuchos queimam ?
Para
dizer porque os cartuchos queimam,
primeiro vamos entender como os circuitos funcionam.
Existem dois tipos de cabeças de impressão - as
do tipo piezo e as com
resistências. O segundo tipo ainda se subdivide em
resistências em
contato ou não com a tinta.
As cabeças piezo são via de regra das Epson -
pequenos cristais,
semelhantes aos que existem nos relógios digitais, vibram ao
receber
corrente. Esta vibração controlada, faz com que a
tinta do interior
da câmara onde se encontra o cristal seja expelida de
encontro ao
papel. São chamadas impressões à frio.
As cabeças térmicas possuem pequenas
resistências elétricas que, ao
receberem corrente, aquecem a tinta a temperaturas da ordem de
400°C,
formando instantaneamente bolhas de vapor que expelem a tinta de
encontro ao papel.
O tempo de aquecimento, ejeção da tinta e
resfriamento, nos cartuchos
do tipo 26, são da ordem de 20 milisegundos, sendo menores
à medida
que a tecnologia aumenta. (hoje falamos em aquecimento e resfriamento
da
ordem de 12 milisegundos).
Outro fator importante é a própria
resistência - feita de silício em
sua maioria, estas pequenas notáveis sempre precisam estar
em contato
com a tinta, seu principal meio de resfriamento. Quando a tinta acaba
(ou entope, ou tem partículas sólidas), estas
resistências acabam por
se superaquecer, vindo até a queimar. -
Explicação que podemos
facilmente dar quando você, ao levar um cartucho HP 49A
original numa
loja de recarga ouve o dono dizer que está queimado.
Ele simplesmente foi usado literalmente até acabar a tinta.
Daí a
queima....
À medida que a resistência é
solicitada, um desgaste vai ocorrendo.
Quanto mais desgastada, menos corrente passa - podemos ter dois
extremos
- rompimento ou curto-circuito.
Só que se uma certa faixa é ultrapassada, a
resistência perde seu
poder de aquecimento - Um problema comum visto pela maioria dos
recicladores que possuem testadores só de continuidade
(ainda falando
nos HP 29) - a resistência pode até deixar passar
corrente, mas não
imprime mais - "Puxa, passou no testador e não imprimiu... a
tinta
é a culpada" - É o que mais ouço...
As tintas corantes aqui ainda ganham terreno, pois podem trabalhar
à
temperaturas mais baixas, mascarando o cansaço das
resistências.
Falando nos 45 e similares (inclusive os Lexmark mais novos), seus
circuitos são diferentes, pois, ao contrário dos
tipo 29 (que para
cada par de contatos há uma resistência),
trabalham com sinais
multiplexados - vários comandos embutidos em um
único pulso de sinal
(como os televisores), ou seja, vários comandos para
vários pontos do
circuito são enviados a um único par.
Por isso é tão complicado se medir a
resistência nestes cartuchos.
Para os 45, existem 350 pontos de impressão que podem
imprimir com 4 níveis
diferentes de tinta, e apenas uns poucos contatos.
Estes sinais são decodificados ao chegarem nos cartuchos
(por meio de
encoders, ou os pequenos pontos pretos nas mantas de contatos), e
gerenciado por um circuito integrado interno à
cabeça.
Também, diferente dos antecessores, quando um conjunto
queima todo o
circuito do cartucho entra em colapso, dando a não-leitura
pela
impressora, ou instalação incorreta.
Já os HP 29, se apenas um ponto
queimar, a impressora pode funcionar sem problemas.
Diferentemente dos 29, os cartuchos HP45 e HP 15 são
difíceis de queimar -
de cada 100 cartuchos, 2 ou 3 acabam por apresentar queima.
Também a forma que estes cartuchos queimam é
peculiar - a porção do
circuito que fica depois da cabeça de impressão
(dobrada, na parte
interna), acaba por se soltar - em alguns casos pode ser notado
até fumaça saindo da
impressora.
Em suma, os cartuchos queimam porque são feitos para
queimar. Primeiro
- nós todos, recicladores, somos teimosos, ou seja, formamos
um mercado
multi-milionário a mais de 15 anos recarregando cartuchos
que são
feitos para durar apenas um ciclo.
Segundo - Pensem em um chuveiro - se não houver
água, ele queima!. A
mesma coisa acontece com o cartucho - se não houver tinta,
as resistências
elétricas (vulgo circuito) se rompem (ou queimam) por
superaquecimento.
Diferentemente
das placas mãe,
processadores, etc. as impressoras tem um funcionamento basicamente
mecânico,
por isso podem ser consertadas com uma relativa facilidade.
É muito
mais fácil consertar uma impressora do que uma
televisão por exemplo.
Temos aqui no Brasil um cenário no mínimo
interessante quanto à
manutenção de impressoras. As autorizadas, que
supostamente deveriam
dar uma assistência de boa qualidade, freqüentemente
prestam péssimos
serviços, e o pior, quase sempre cobram caro por eles,
muitas vezes
inviabilizando o conserto.
Abre-se então um grande campo de trabalho para os
técnicos autônomos,
que costumam ter uma quantidade relativamente grande de consertos de
impressoras. O objetivo deste artigo é justamente dar alguns
conceitos
básicos sobre manutenção de
impressoras jato de tinta.
Como funciona uma
impressora
Os principais componentes da impressora são a placa
lógica, que
coordena o trabalho da impressora, os motores, engrenagens e correias
responsáveis pela movimentação do
carro de impressão, o eixo por
onde o carro se desloca, o carro de impressão em
sí, onde vão os
cartuchos, os botões de ligar, correr folha, etc., e as
cabeças de
impressão, que no caso das HP fazem parte dos cartuchos
(são descartáveis)
e nas EPSON que fazem parte do carro de impressão
(são fixas).
Para a maioria dos consertos, será necessário
abrir a impressora, para
isso você precisara de uma chave estrela de 6 pontas,
necessária para
tirar os parafusos das HPs assim como de outras marcas. Esta chave
é
facilmente encontrada em lojas de ferramentas.
Problemas mais comuns nas HPs
Pelo que vejo, o problema mais comum nas HPs é a
impressão começar a
sair borrada ou com riscos, como se algo raspasse na folha antes da
tinta secar. Este problema pode ser causado tanto por uma grande
quantidade de restos de tinta acumulada na cabeça de
impressão do
cartucho, quanto sujeira acumulada na parte de baixo do carro de
impressão,
a parte que fica quase em contato com a folha, logo atrás
dos
cartuchos. Esta parte é um pouco complicada de limpar, mas
será fácil
caso você desmonte a impressora.
Outro problema comum é o carro de impressão
começar a bater dos lados
durante a impressão, fazendo com que a impressão
saia em ziguezague.
Abra a impressora e você encontrará uma fita
plástica, com uma espécie
de código de barra bem atras do carro de
impressão. Este código de
barra serve como orientação para o carro de
impressão. Este problema
é causado justamente por sujeira ou na fita, ou
então no sensor do
carro de impressão, basta limpar ambos com uma flanela com
um pouco de
álcool.
Se por acaso a impressora estiver fazendo ruídos, como se o
carro de
impressão estivesse raspando em algo, experimente lubrificar
o eixo da
impressora com óleo de máquina.
Se ao tentar imprimir, o carro de impressão não
se mover, mas você
ouvir ruídos do mecanismo funcionando, provavelmente o
defeito é no
sistema de movimentação do carro, provavelmente
alguma engrenagem
quebrada ou fora do lugar. Cheque também se os motores
estão todos
funcionando, se nenhum dos cabos está partido, etc.
Se por outro lado, a impressora simplesmente não imprime,
mal dando
sinal de vida, temos como possibilidades algum defeito na placa
lógica,
ou pode ser que um dos cabos flat da impressora tenha se partido ou
então
simplesmente tenha se desencaixado. Se você entender de
impressão, é
possível consertar muitos defeitos na placa
lógica da impressora, já
que na maioria das vezes os defeitos são simples. Os cabos
flat por sua
vez podem apenas ser substituídos.
Perda da qualidade de impressão, como por exemplo a
impressora
imprimindo apenas metade das letras são geralmente causados
por
problemas no cartucho, aparecem quando a tinta já
está quase acabando,
ou então em cartuchos reciclados que já passaram
por várias recargas.
Problemas mais comuns nas EPSON
Além dos problemas mecânicos, que já
vimos, outro defeito comum nas
EPSON é o entupimento das cabeças de
impressão. Este é o pesadelo de
todos os usuários, pois trocar as cabeças de
impressão numa
autorizada custa quase o valor de uma impressora nova.
Porém, na maioria dos casos é possível
desentupir a cabeça de
impressão com uma receita simples:
Pingue uma gota de água quente no orifício por
onde entra a tinta e dê
o comando de limpeza dos cartuchos.
Pingue uma gota de detergente e faça novamente a limpeza.
Pingue uma gota de solução
de limpeza e desentupimento e faça novamente a
limpeza, repetindo as três
etapas até conseguir desentupir a cabeça de
impressão. Isso pode
demorar algumas horas, mas é só ter um pouco de
paciência que este
procedimento resolverá em 80% dos casos.
Como último recurso, caso você já
esteja para descartar a cabeça de
impressão, tente fazer o mesmo procedimento, mas
acrescentando tinner,
apesar dos riscos ele é um solvente bem mais poderoso, que
pode ajudar
em alguns casos. Como de qualquer forma já não se
tem mais nada a perder...
Use
somente tinta
apropriada e específica para impressoras epson.
Tintas de baixa
qualidade e inadequada é a grande responsável
pelos entupimentos.
Conseguindo peças
O mais complicado para quem trabalha ou pretende trabalhar com
manutenção
de impressoras é justamente como encontrar peças
de reposição. Em
geral as autorizadas não vendem peças avulsas,
mas você pode
consegui-las caso conheça alguém que trabalhe
lá. De qualquer forma,
comprar com as autorizadas nem sempre é uma boa
idéia, por causa do
alto preço das peças avulsas.
Outra solução, que costuma ser muito mais usada
é começar a montar
um sucatão de impressoras, comprando impressoras sucateadas
e usando-as
como doadoras de peças. Muita gente joga impressoras fora
pois só a
troca dos cartuchos de impressão normalmente custa quase
metade do
valor de uma impressora nova. Se ainda por cima a impressora tiver
algum
problema, muita gente prefere realmente comprar logo uma nova.

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